Agente do Detran-Pa é preso acusado de jogar esposa de prédio em Parauapebas

Agente do Detran-Pa é preso acusado de jogar esposa de prédio em Parauapebas
abril 01 14:21 2019

Um agente do Detran Pará foi preso em flagrante por crime de feminicídio neste domingo (31), em Parauapebas, município do sudeste paraense. Segundo a Polícia Civil do Estado, Diógenes dos Santos Samaritano foi autuado por matar a esposa Dayse Dyana Sousa e Silva, de 35 anos.

O crime ocorreu pela manhã, quando o agente de trânsito teria empurrado a esposa do segundo andar da casa onde moravam, na Rua Canindé, bairro do Parque dos Carajás. Ele foi preso no início da tarde por policiais civis do município. Conforme o delegado Gabriel Costa, titular da Seccional, o acusado foi preso no escritório de seus advogados e chegou a negar o crime, afirmando que Dayse havia cometido suicídio.

A família da vítima acusa Diógenes pelo assassinato. O agente já havia sido denunciado várias vezes por Dayse por violência doméstica e os dois viviam um relacionamento conturbado.

Conforme o delegado, não houve qualquer apresentação espontânea por parte do acusado. “Desde as 11:30 da manhã, estou na campana e consegui informações de que ele estava lá”, detalha o delegado. Segundo o policial civil, há fortes indícios de que ele é o autor da morte da esposa.

A Polícia Civil requisitou à perícia de local de crime na residência. O filho do casal foi encontrado na casa de uma babá. Informações iniciais são de que o casal havia se separado recentemente.

A vítima, dessa forma, mudou-se para Marabá com a mãe e teria dado início à uma ação de divórcio. Porém, poucos dias atrás, Dayse voltou a morar com Diógenes, em Parauapebas.

Pelas primeiras informações apuradas, na noite de sábado, ao saber do pedido de medida protetiva feito pela esposa, o agente de trânsito teria cometido o crime. No entanto, o acusado, por sua vez, alega que a ex-mulher teria cometido suicídio. As investigações continuam. O filho do casal foi ouvido por uma equipe multidisciplinar e ficou de passar por exames médicos. Por enquanto, o agente continua preso.

Diógenes dentro da cela (Reprodução)

Feminicídios no Pará e no Brasil

Segundo os dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) mais recentes, entre 2017 e 2018, os casos de feminicídios no Pará aumentaram em quase 50%. De janeiro a junho de 2018 foram registrados 25 casos de feminicídio em todo o estado do Pará. No mesmo período de 2017 foram registradas 17 ocorrências no estado, o que gera um aumento de 47% dos casos.

De acordo com a organização dos Estados Americanos, o Brasil concentra 40% dos feminicídios de toda a América Latina.

Dados inéditos revelam que 92.323 denúncias foram registradas e encaminhadas pelo Ligue 180, canal do agora Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos — 25,3% a mais do que no ano anterior.

Em 2018, foram 73.669. Para se ter dimensão da barbárie, 391 mulheres foram agredidas por dia em dezembro, mês no qual 12.123 se tornaram vítimas de todo o tipo de violência. Em relação ao mesmo período de 2017, o número mais que dobrou. À época, 6.024 denunciaram abusos.

As 26 páginas do balanço comparativo do Ligue 180 escancaram um cenário que exige atenção. O assassinato de mulheres também cresceu. O crime aumentou 63% passando de 24 assassinatos entre julho e dezembro de 2017, para 39 no mesmo período de 2018. As tentativas de feminicídio saltaram de 2.749 para 4.018 no mesmo recorte de tempo: alta de 46%. Apesar de assustador, o dado é considerado subnotificado, porque nem todos são declarados.

Veja as principais agressões registradas pelo Ligue 180 em 2018

Violência física 30.918

Violência psicológica 23.937

Violência doméstica e familiar 15.803

Tentativa de feminicídio 7.036

Violência sexual 4.491

Violência moral 3.960

Para denunciar

Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, é o serviço oferecido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A ligação é gratuita e confidencial. Esse canal de denúncia funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, no Brasil e em outros 16 países.

Além de registrar denúncias de violações contra mulheres, encaminhá-las aos órgãos competentes e realizar seu monitoramento, o Ligue 180 também dissemina informações sobre direitos da mulher, amparo legal e a rede de atendimento e acolhimento.

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