Chefe da PM tem proteção 24h, enquanto o Pará vive matança

Chefe da PM tem proteção 24h, enquanto o Pará vive matança
abril 24 13:42 2018

De um lado, o comandante da Polícia Militar do Pará, Hilton Benigno, tem à sua disposição câmeras de monitoramento, viaturas e PMs que batem ponto diariamente próximo do seu prédio para garantir sua integridade. O governador Simão Jatene também vive em segurança, na sala refrigerada de seu gabinete, tomado por policiais e assessores especiais. Do outro lado, milhões de paraenses acuados, tombando diariamente com vítimas da violência descontrolada que toma conta do Estado.

De meia-noite de sábado até meia-noite de ontem, mais 19 pessoas morreram assassinadas na Grande Belém, confirme número divulgado pelo DIÁRIO na edição de segunda (23).

Apesar de várias promessas de medidas na área da segurança pública, a população continua desprotegida e não sente no seu dia a dia nenhuma medida efetiva do Estado. Cidadãos e policiais continuam sendo atacados e mortos diariamente. Não há sinal de diminuição dessas estatísticas macabras. Ao contrário, a criminalidade só aumenta.

O prédio onde o coronel Hilton Benigno mora é vigiado por um sistema de monitoramento. (Foto: Celso Rodrigues/Diário do Pará)

A verdade é que a segurança parece um navio desgovernado conduzido por Simão Jatene, que conta as horas para sair do comando. A situação do comandante da PM soou como deboche quando se sabe que o Pará detém as mais altas taxas de homicídios e, neste ano, tem apresentado uma média diária de 14 assassinatos. Entre as mais de mil pessoas mortas nos primeiros meses do ano, 24 eram agentes de segurança pública, sendo 19 da própria PM.

OLHOS FECHADOS

O deputado estadual Iran Lima (MDB) diz que falta humildade a Jatene para reconhecer que sua gestão não conseguiu dar segurança ao povo. “O atual governador comandou esse Estado por 12 anos, ou seja, foram três gestões e nesse período não conseguiu materializar políticas públicas que pudessem barrar essa escalada de violência que hoje mata cidadãos paraenses”, disparou.

Prédio conta ainda com apoio de uma guarnição de policiais. (Foto: divulgação)

Segundo o deputado, Simão Jatene acha que todas as críticas feitas a seu Governo são de cunho pessoal e que, se fizer alguma coisa, dará algum tipo de satisfação a seus opositores políticos. “Não se trata disso. Tanto seus apoiadores como quem lhe faz oposição como nós estamos sentindo na pele essa falta de segurança. Seja aqui em Belém, em Moju ou em Santarém. A hora é de nos unirmos todos na busca de uma solução para o bem da população do Estado”, pregou.

SEM HUMILDADE

Para Iran Lima, o governador deveria descer do pedestal e ouvir o clamor das ruas e as críticas à sua administração. “Precisa baixar a bola, aceitar ajuda de quem quer e de quem pode ajudar e parar com essa mania de perseguição. Sem humildade e gestão efetivas, não sairemos dessa situação”, encerrou.

O QUE DIZ A SEGUP

Para reduzir o número de ocorrências, a Segup informa que traçou um “plano de ações e medidas” que é praticado desde o início deste ano.

O projeto contempla a formação de dois mil novos policiais militares que deverão ir para as ruas após a convocação de 400 reservistas da PM para o setor administrativo, em substituição a policiais da ativa, para as atividades operacionais.

Nesse plano, estão incluídos “cursos de comportamento de autoproteção, capacitações orientadas para os eixos de enfrentamento da criminalidade, além do concurso público, ainda este ano, para mais de mil PMs, 100 delegados de polícia, 100 escrivães e 200 investigadores”.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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