Mulheres conquistam seu espaço e comandam o próprio negócio

Mulheres conquistam seu espaço e comandam o próprio negócio
março 08 12:44 2018

Já faz um tempo que o mundo dos negócios deixou de ser um espaço exclusivo de homens. Hoje, as mulheres estão à frente de todo tipo de comércio, como salões de estética, lojas de roupas, restaurantes e até mesmo barbearias. Segundo o levantamento do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que no Brasil é realizado em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), elas são responsáveis por mais da metade dos novos negócios abertos em 2016 no país.

De acordo com a pesquisa, as mulheres empreendedoras são mais escolarizadas do que os homens e atuam, principalmente, no setor de serviços. Mas a quantidade ainda é pequena em comparação ao total da população feminina do Brasil: apenas 8% das mulheres são empreendedoras. A região Norte é a que tem menos mulheres que gerenciam negócios próprios (apenas 4% têm esse perfil por aqui).

APRIMORAMENTO

Mas o potencial é animador: ainda segundo o estudo, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial pode aumentar em U$ 12 trilhões até 2020 se houver igualdade de gênero, sendo R$ 850 milhões só no Brasil. A gerente regional metropolitana do Sebrae no Pará, Leda Magno, avalia que, no Estado, o empreendedorismo feminino tem tido crescimento expressivo. “As mulheres têm buscado aprimorar seus negócios, seja por necessidade ou por oportunidade, e isso é muito positivo porque elas conquistam a independência financeira”, afirma Magno.

De acordo com a gerente do Sebrae, os principais segmentos onde elas atuam são saúde, beleza e alimentação. Entretanto, novos caminhos estão sendo criados, com as empresárias desbravando novos ramos nos negócios e investindo também no empreendedorismo social, que segmentam negócios para ajudar a sociedade. “Seja no mundo dos negócios ou nas ações sociais, as mulheres visam à melhoria de qualidade de vida”, reitera.

Maynara Santana comanda o próprio estúdio de tatuagem e barbearia, com quasetodos os funcionários homens. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)

ESTUDO, CRIATIVIDADE E FORÇA DE VONTADE SÃO SO PRINCIPAIS DIFERENCIAIS

No bairro do Reduto, está o Espaço Art Ato, que funciona de forma colaborativa com estúdio de tatuagem, barbearia e aplicação de piercing, entre outros serviços. Com vários funcionários homens, poucos imaginam que é uma jovem mulher de apenas 26 anos que comanda o espaço. Maynara Santana é formada em Nutrição, mas decidiu deixar a profissão de lado para empreender. O noivo, Sebastian Santos, 28 anos, é artista e atua como tatuador há 5 anos.

Eles decidiram abrir o local, que começou no pátio de casa. “Eu nunca tinha tido experiência com economia criativa e o espaço tomou proporções maiores do que imaginávamos”, diz Maynara. Ela revela que, no início, recorreu ao Sebrae para formalizar seu plano e tirar a ideia do papel. Mesmo assim, a jovem considera que as mulheres enfrentam muitos desafios no cotidiano. “Estamos ocupando um espaço que antes era predominantemente masculino e às vezes tem gente que não consegue respeitar o que estamos nos propondo a fazer”.

Flávia montou um negócio particular com o marido e agora faz todo mundo feliz comendo uma boa pizza rodízio. (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

A assistente social Flávia Raiol, 35 anos, também decidiu mudar o rumo de sua vida e apostar em uma área diferente. Com o marido, Marcus Raiol, 41, ela inaugurou o primeiro e único rodízio de pizza em casa de Belém. Santo Orégano funciona no próprio carro do casal e eles levam toda estrutura necessária para o serviço (forno, gás, louça e material para a pizza) e a clientela desfruta o quanto quiser por 2 horas, sem largar o conforto de seu lar. “Está sendo uma experiência única. É uma mudança financeira, de rotina, de vida. Não voltaria atrás”, declara.

Já o Coletivo Grrls começou como um projeto de amigas de dar um novo sentido a roupas. Hoje é encabeçado pelas designers Babi Santos, 26, e Ketlen Suzy, 27, e pela cientista social Maíra Martins, 27. O objetivo é transformar roupas que seriam descartadas, fazendo redesign com o uso desde modelagens das peças até apliques e inserção de estampas. O coletivo, que agrega também outras colaboradoras, organiza bazares e feiras criativas reunindo marcas locais e mulheres empreendedoras.

“Vestidos viram blusas, calças viram shorts ou saias, algumas ganham mangas, outras perdem golas, botões são trocados, o rosa vira azul e o ex-branco vira o novo estampado”, explica Ketlen Suzy. Com tanta mudança, as peças se tornam exclusivas e atraem uma clientela diferente, que valoriza o consumo consciente e a sustentabilidade.

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