PMs podem cruzar os braços em protesto contra mortes de policiais

PMs podem cruzar os braços em protesto contra mortes de policiais
abril 11 14:19 2018

O clima de tensão que ronda a segurança pública no Pará pode tomar rumos ainda piores nesta quarta-feira (11), após mensagens, supostamente feitas por entidades ligadas à policiais militares, convocarem o aquartelamento dos agentes, quando os policiais não saem às ruas. As associações negam a autoria das mensagens, mas afirmam que as tropas já discutem a possibilidade.

Por aplicativos como o WhatsApp, uma mensagem supostamente assinada pela Associação de Cabos e Soldados PM’s e BM’s do Pará (ACSPA) convoca os polciais e bombeiros militares do Estado a não saírem dos quarteis durante a manhã desta quarta-feira (11), enquanto ocorre uma reunião entre categoria e governo do Estado para discutir o reajuste salarial dos policiais. A associação nega a autoria da mensagem, mas afirma que o clima de descontentamento entre os agentes pode ter motivado o recado.

“Essa mensagem não é oficial, não foi emitida por nós. Mas há, de fato, uma insatisfação muito grande nos quartéis, e corre os rumores de que as tropas discutem fazer o aquartelamento”, afirmou sargento Xavier, presidente da ACSPA. “Provavelmente grupos colocaram o nome da associação na nota para tentar dar mais força à convocação, colocar na nossa costa. Mas não fomos nós. Entretanto, se os policiais resolverem aquartelar de fato, a associação irá dar o apoio necessário”.

Entre policiais militares, o rumor é que policiais de diversos quartéis discutem a possibilidade de aquartelamento após o resultado da reunião que ocorre nesta quarta para discutir o reajuste salarial da categoria. Os agentes afirmam que a proposta oferecida pelo governo é insatisfatória.

“O que chegou a nós é que a proposta do governo é reajuste salarial de 3%. Isso é muito pouco, ainda mais para uma categoria que não tem reajuste há quatro anos. Além disso, ofereceram um acréscimo de R$ 200 no vale-alimentação, mas isso é uma enganação, pois não afeta os inativos, quem tira licença especial, os agentes na reserva. Em suma, a proposta é insignificante”, completa o sargento Xavier.

Além da questão salarial, policiais reclamam da onda de violência que atingo os agentes de segurança. Apenas neste ano, o Estado já somou 19 policiais assassinados. Além disso, uma onda de crimes atinge a população em geral. Apenas na segunda-feira (9), 13 homicídios foram registrados na Grande Belém. Já na terça-feira (10), uma tentativa de resgate no Complexo Penitenciário de Santa Isabel resultou na morte de 21 pessoas.

Os policiais deverão realizar uma assembleia nesta quarta-feira, às 18h, para discutir o resultado da negociação.

(Gustavo Dutra/DOL)

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