Polícia segue investigando assassinatos no transporte dos líderes de facções

Polícia segue investigando assassinatos no transporte dos líderes de facções
agosto 01 14:47 2019

O delegado geral de Polícia Civil, Alberto Teixeira, esteve em Marabá ontem (31) para acompanhar a abertura do inquérito que investiga as mortes dos detentos dentro do caminhão. Quatro presos foram mortos, durante transporte entre Novo Repartimento e Marabá. Eles faziam parte do grupo que estaria sendo transferido do Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRAlt), após o conflito entre membros de facções criminosas, que terminou com 58 mortos naquela unidade.

Os mortos são Dhenison de Souza Ferreira, José Ítalo Meireles Oliveira, Valdenildo Moreira Mendes e Werik de Sousa Lima. Eles pertenceriam à mesma facção e viviam juntos nas mesmas celas, segundo o titular da Segup, Ualame Machado. Quando o veículo chegou à Marabá, os agentes encontraram os quatro presos mortos. O laudo do Centro de Perícias Científicas (CPC) Renato Chaves constatou que a causa das mortes foi por estrangulamento mecânico. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, durante o transporte, eles estavam algemados, divididos em quatro celas e foram asfixiados. A capacidade das celas era para até 40 presos, e 30 eram transportados.

A Polícia Civil busca dois principais elementos: indícios de autoria e materialidade dos crimes. “Na consulta junto ao CPC, com peritos e médico legista, constatou-se que houve asfixia mecânica por estrangulamento. Não há dúvida de que eles foram mortos dentro do caminhão. Temos a materialidade. Para nós, agora interessa saber quem matou. Dentre os mortos há sinais de que tentaram se defender e arranharam seus oponentes. Então tem como fazer exames de DNA das unhas para que possamos identificar quem, efetivamente, praticou a ação”, pondera.

O secretário informou que pela própria questão de divisão do veículo e de segurança, nenhum agente penitenciário pode viajar internamente, no baú, junto com os presos. Dessa forma, os agentes seguem junto com o motorista do caminhão. “Foram eles mesmos que, em algum momento, se desentenderam, mas a motivação está sendo investigada. Foi instaurado inquérito policial em Marabá. Todos eram do mesmo grupo criminoso, organização que teria coordenado a ação em Altamira”, pondera o secretário.

De acordo com o delegado, pelo menos nove dos 30 presos estão envolvidos diretamente no crime, já que conseguiram quebrar as algemas. Mas a Polícia não descarta a participação dos presos que permaneceram algemados. “Eles estão custodiados na Seccional de Marabá, onde estão sendo autuados. De manhã cedo, eles serão apresentados à justiça e submetidos à audiência de custódia. Depois disso será decidido aonde serão custodiados ou se virão para Belém”, reforça o delegado, acrescentando que os presos estavam algemados corretamente, com as mãos para trás e amarrados entre eles, dois a dois. Teixeira disse ainda que sistema já fez milhares de transportes de presos utilizando essa tecnologia e nunca houve um episódio como esse anteriormente.

A Susipe fez a transferência de 46 dos detentos que estavam em Altamira, sendo que 15 presos em flagrante vieram de avião e os demais por transporte terrestre. Ualame disse ainda que o caminhão é utilizado nacionalmente, sendo um modelo de viatura estabelecido pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) em todas unidades do Brasil. “Eles vieram algemados com algemas plásticas, em quatro celas separadas, como é dividido esse veículo. A viagem transcorreu normalmente até a altura de Novo Repartimento. Chegando a Marabá foi verificada a situação”, pontua Machado.

Com informações: Dol

 

 

 

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