Prefeito de Igarapé-Miri paga R$ 400 mil para sua própria empresa

Prefeito de Igarapé-Miri paga R$ 400 mil para sua própria empresa
maio 22 14:51 2018

As polêmicas que envolvem a situação política do município de Igarapé-Miri parecem não ter fim: após acusações de não entregar à população obras de moradias que estão prontas, o atual prefeito Antoniel Miranda Santos (PEN) é suspeito de realizar contratos que somam mais de R$ 400 mil entre uma empresa que pertence a ele com a Prefeitura de Igarapé-Miri.

A denúncia foi feita pelo blog “O Sentinela” e expõe os contratos feitos, com dispensa de licitação, entre a empresa  A. V da Costa, de nome fantasia A&B Alimentos, com a Prefeitura de Igarapé-Miri para “aquisição de gêneros alimentícios”.

A empresa funciona no térreo da casa do prefeito Antoniel Miranda

De acordo com o blog, é de conhecimento público que a empresa A.V da Costa é de propriedade do atual prefeito Antoniel Miranda Santos e de seu sócio Arcelino Viana da Costa.

A empresa A & B Alimentos fica no terreo da casa do prefeito Antoniel Miranda. São quatro contratos realizados no ano de 2017: o número 006/2017, com valor de R$ 300.682,00; o número 007/2017, no valor de R$ 14.082,00; o número 008/2017, de valor R$ 23.865; e o de número 009/2017, no valor de R$ 71.541.

O montante dos quatro contratos ultrapassa o valor de R$ 408 mil.

Habilitação da empresa é questionada

Segundo o blog, as denúncias de irregularidades estão sendo encaminhadas até os órgãos competentes como Ministério Público Estadual, podendo os envolvidos serem enquadrados nos crimes de fraude em licitação e improbidade administrativa, por exemplo. As denúncias contra a administração de Antoniel Miranda, no entanto, vão além das supostas fraudes nas licitações.

No último dia 10 de maio, os moradores de Igarapé-Miri, interditaram a “ponte da Maromba”, localizada na rodovia PA-151 e que dá acesso à cidade, cobrando a entrega de obras do programa “Minha Casa, Minha Vida”, que foram prometidas pelo prefeito.

Além da interdição, os moradores também realizaram protesto em frente à Prefeitura de Igarapé-Miri. “Estamos aqui [em frente à Prefeitura da cidade] atrás de nossos direitos. O programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ já está pronto. As casas estão ‘só mato’. Nós não temos onde morar. Nós estamos precisando de casas e as casas já estão prontas”, disse uma das manifestantes em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais.

Em determinado momento, a moradora, visivelmente emocionada, exige um posicionamento de Antoniel Miranda. “Prefeito, você é um mentiroso. Você é um homem de Deus? Homem de Deus não mente. Homem de Deus não engana a população, não deixa essas mães aqui, passando por tudo que estão passando. Mentiroso. Você é um mentiroso”, termina a manifestante.

Áudios comprometedores circulam e o clima é de instabilidade política

Por fim, a permanência de Antoniel no poder em Igarapé-Miri começou a gerar ainda mais instabilidade política na cidade após a divulgação de áudios nas redes sociais que mostram um possível um “acordo” entre Executivo, Legislativo e Judiciário para manter afastado o ex-prefeito, Ronélio Antônio Rodrigues Quaresma (MDB). Um desses áudios é uma suposta conversa do atual prefeito com uma empresária: nela, o político pede cerca de R$30 mil para “ajudar” alguns vereadores.

A propina resultante da extorsão seria utilizada para “pagar” três vereadores. Há ainda outra gravação que pode mostrar a amplitude do esquema, envolvendo até mesmo os representantes jurídicos do município.

No áudio, que ainda não passou por perícia, é possível ouvir de Sylber Lima, procuradora do município, conversando com outra pessoa não identificada. Em sua fala, ele cita Anne Veloso, procuradora da Câmara Municipal. Ele diz que a “Doutora Ane” possui uma estratégia que “Doutor Lauro” passou a ela. A estratégia seria uma forma de manter Toninho afastado. O  “Dr Lauro” seria o juiz Lauro Alexandrino Santos. Ouça:

A proximidade do juiz e do prefeito é algo que já foi questionado recentemente. No dia 11 de abril, foi protocolada uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz Lauro Alexandrino, da Comarca do município, por demora no julgamento de um pedido liminar sobre um mandado de segurança impetrado no último dia 27 de fevereiro.

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