Setembro Amarelo: um alerta para prevenção ao suicídio

Setembro Amarelo: um alerta para prevenção ao suicídio
setembro 15 19:58 2018

O assunto ainda é polêmico e cercado de tabus, mas a ciência explica: a depressão tem origens biológicas, psicológicas e sociais de angústia que levam a pessoa a tirar sua própria vida. O tema é tão preocupante que o Ministério da Saúde aponta: o suicídio é a terceira maior causa de morte entre homens de 15 a 29 anos, depois da violência e dos acidentes de trânsito, e a quarta entre os jovens em geral, no País.

Para combater a prática, a campanha Setembro Amarelo mostra que o suicídio tem prevenção e o primeiro passo é o debate sobre o tema. Apesar de ser mais comum em pessoas jovens, os transtornos mentais não tratados podem atingir a qualquer faixa etária, classe social e sexo. Números oficiais do MS dizem que, 32 mil brasileiros se suicidam por dia no País. “O suicídio não é um sinal de fraqueza. A pessoa acha que fazendo isso vai colocar um fim na sua dor, no seu sofrimento”, explica a psicóloga clínica Flávia Vieira Tavares.

MITOS

A especialista lembra que há o suicídio infantil – que pouco é comentado na sociedade -, o de jovens e de idosos – os mais comuns – e os de adultos. “É importante quebrar os tabus do suicídio, eles ocorrem em qualquer idade e apresentam sintomas”, destaca a psicóloga. O assunto carrega vários mitos, entre eles é que apenas a depressão leva ao problema. “Pessoas com transtornos bipolar, de personalidade, de ansiedade e todos os psicológicos/comportamentais e os relacionados ao uso de drogas lícitas e ilícitas fazem parte do grupo de risco”, conta Flávia Tavares.

Outro mito é de que quem anuncia a vontade de se matar, não cumpre o que diz. “A pessoa que fala do desejo de morrer não faz isso para chamar atenção. Ela está, de alguma forma, pedindo socorro e muitos que anunciam se matam, sim!”, reforça a psicóloga. Porém, quem já expressou o desejo de morte, pode superar a vontade e seguir a vida normalmente, com tratamento. “A vontade não é para sempre. Isso é um mito”, destaca Tavares.

Cerca de 11 mil brasileiros tiram a própria vida por ano

A partir do diagnóstico, é preciso fazer um plano terapêutico com uma equipe multiprofissional: médico psiquiátrico, psicólogos, assistência social. Além das terapias comportamentais, medicamentos também são usados. “A prevenção vem com a identificação, através do comportamento da pessoa, da mudança na rotina”, ressalta a psicóloga Flávia Tavares.

Estudos apontam que a família de um suicida sofre com culpas e remorso, por isso a psicóloga orienta que os parentes mais afetados com a morte procurem tratamento. A campanha Setembro Amarelo, em Belém, está movimentando a sociedade civil, acadêmicos e instituições com eventos de abordagem do tema. “Temos de debater o suicídio, pois é questão de saúde pública”, finaliza Flávia.

O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, foi iniciado em 2015 para sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão. Desde 2011 a notificação de tentativas e mortes é obrigatória no País. Em média, 11 mil brasileiros cometem suicídio e 8 mil tentam tirar a própria vida, por ano, conforme dados do Ministério da Saúde.

SERVIÇO

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Fone: 188

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