Vale sabia de falhas em sensores dois dias antes da tragédia, apontam e-mails

Vale sabia de falhas em sensores dois dias antes da tragédia, apontam e-mails
fevereiro 07 14:35 2019

A Polícia Federal está investigando uma troca de e-mails entre a Vale e duas empresas responsáveis pela segurança da barragem de Brumadinho em Minas Gerais. De acordo com as investigações, a mineradora havia sido informada dois dias antes dos problemas em dados de sensores que faziam o acompanhamento da estrutura.

Makoto Namba e André Jum Yassuda, dois engenheiros da Tüv Süd Brasil, empresa contratada pela mineradora, divulgaram as informações durante depoimento. Os engenheiros foram presos dias após o rompimento da barragem. Na última terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiu a liberdade aos profissionais e outros três funcionários da Vale.

Namba e Yassuda são responsáveis pelos laudos e estabilidade da barragem, emitido em setembro de 2018. Na última sexta-feira (1) a PF ouviu os dois. Nos depoimentos, e-mails trocados entre a Vale e funcionários da Tüv Süd Brasil foram revelados pelo delegado.

Dênis Valentin, engenheiro da Tüv Süd, foi citado no depoimento, foi ele quem enviou as primeiras mensagens, no dia 23 de janeiro, a várias pessoas. As mensagens foram respondidas pelo funcionário da Vale, Hélio Cerqueira, no dia seguinte.

No dia 24 de janeiro, Anderson Fernandes, também funcionário da Vale, respondeu outras mensagens. O assunto era a divergência de informações dos piezômetros (aparelhos que fazem o monitoramento da barragem e são automatizados). Os aparelhos falharam no dia 10 de janeiro. Na mensagem, também é questionado o não funcionamento de outros cinco aparelhos.

Questionado sobre o que faria se o filho estivesse trabalhando na barragem, Namba respondeu que ligaria para o filho e diria para ele sair do local com urgência. E que também entraria em contato com o setor de emergência da Vale para acionar o plano de emergência da barragem Mina do Feijão para que as providências fossem tomadas.

Ele também confirmou que em reunião com Alexandre Campanha, também funcionário da Vale, foi perguntado sobre a liberação do laudo de estabilidade: “A Tüv Süd vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”. Namba disse que, só iria assinar o documento se a mineradora adotasse as recomendações expostas na revisão periódica de junho de 2018. Ele disse também que sentiu que a pergunta foi uma forma de pressionar a Tuv Sud a assinar a declaração de condição de estabilidade. 

Em nota, a Vale disse que está colaborando com as investigações. “Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”, disse. 

Já a TÜV SÜD alegou, também através de nota, que os dois funcionários detidos temporariamente, foram liberados. “Por conta das investigações em andamento pelas autoridades do Brasil, com as quais estamos contribuindo, a TÜV SÜD não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais”, afirmou. 

A Polícia Civil de Minas Gerais, disse que as conversas investigadas pela Polícia Federal (PF) serão anexadas aos trabalhos liderados pela corporação.

Subiu para 150 o número de mortos na tragédia de Brumadinho, desses apenas 134 tiveram os corpos identificados. 182 pessoas ainda continuam desaparecidas.

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